domingo, 23 de outubro de 2011

Análise Objetiva 20/10/2011

Fizemos um aquecimento (alguns não participaram, pq estavam fazendo a atividade proposta na aula anterior).
Apresentamos de maneira simbólica a cena proposta, mostrando quais sentimentos preenchiam a cena. Fizemos a leitura desse mesmo texto em voz alta, depois apresentamos ele para a turma.
Nova cena, leitura individual e após leitura em voz alta, com todos os integrantes da cena, para a turma.
Atividades para próxima aula: avaliação e preparar de maneira criativa a cena para "vendermos" e conseguirmos investimento =D.

Análise Objetiva 8/9/2011

Foi realizado alongamento aprendido na aula de expressão corporal, ai foi proposta uma atividade de ritmo onde o grupo começava na velocidade 1 (lenta, andando em slowmotion) e ia até a 9 (rápida, correndo igual um louco desesperado), o objetivo era que o grupo entrasse em harmonia, todos no mesmo ritmo. (variação da atividade: 2 grupos, sem comando de voz da professora).
No grupo dividido foi feita a cena da "festa de aniversário surpresa" e deveriamos utilizar diferentes ritmos para os personagens.
Individualmente andamos pela sala e mentalizamos um lado bom e o outro ruim. Então em duplas pensamos sentimentos variados em relação ao parceiro.
Seguimos o roteiro do casal q comemorava o 7º aniversário de casamento, e o marido, sóbrio a anos chega bebado e casa. Primeiro sem falas e todos ao mesmo tempo e depois as duplas apresentaram com falas para a patéia.
Para finalizar, fizemos a cena "A morte súbita da laranja".

domingo, 11 de setembro de 2011

Murro em Ponta de Faca


Ola pessoal, assisti essa peça no Sesc Belenzinho, e como gosto muito de história, não poderia deixar de apreciar este trabalho. Temas ligados a época de ditadura militar no Brasil, em geral, são muito duros e cheios de dor e sofrimento, e a peça não foge muito a regra, trazendo momentos muito tensos e carregados de sensações. Recomendo para quem gosta de temas ligados a história.

Uma coisa que achei bem interessante é que o palco é praticamente no centro, e a platéia forma um "U" ao redor dele, além disso, ficamos bem pertinho dos atores (o que eu achei muito bom para uma "análise ativa").

Gostei muito do jogo entre os atores, pois são seis pessoas em cena. O ritmo é interessante, nem muito rápido e nem muito lento, além disso a sintonia funciona o tempo todo. Vale ressaltar que o autor do texto é seguidor do Método de Stanislavisk, e eu fiquei o tempo todo analisando a "verdade em cena".

A emblemática peça escrita, em 1971, por Augusto Boal durante o exílio está de volta, trinta anos depois da primeira montagem, novamente com Paulo José à frente da direção.

Sinopse

Murro em Ponta de Faca faz um relato sobre a ditadura militar dos anos 70, no Brasil e América Latina, em precisa abordagem histórica e temática universal, sob o olhar do autor Boal e do diretor Paulo José. O enredo apresenta um grupo de exilados brasileiros que passam pela experiência social e individual de viver, forçadamente, em outra pátria, no caso da peça Chile, Argentina e França. O grupo é formado por três casais de distintas classes sociais e ideologias (intelectuais, operários e burgueses) que são obrigados a conviver no mesmo espaço físico e enfrentar suas diferenças e a falta de liberdade.

A peça registra com precisão a questão do exílio, presente desde sempre na história da humanidade, fruto da exclusão, da negação, da dominação e da intolerância, mas é também a negação da negação, a luta pela afirmação, a resistência.

Serviço

Estreia: 12 de agosto
Temporada: de 12/08 18/09
Sexta e sábado (21h30) e domingos (18h30)
Ingressos: R$ 24,00 (inteira)
Classificação etária: 14 anos
Duração: 1h40
Gênero: Drama

Local:
SESC Belenzinho
Endereço: Rua Padre Adelino, 1000
Belenzinho - Tel: (11) 2076-9700
Sala de Espetáculos I (120 lugares)

Ficha técnica

Texto: Augusto Boal
Direção: Paulo José
Elenco: Gabriel Gorosito, Laura Haddad, Sidy Correa, Erica Migon, Abilio Ramos e Nena Inoue
Assistente de direção: Roberto Souza
Iluminação: Beto Bruel
Cenário: Ruy Almeida
Figurino: Rô Nascimento
Direção sonora: Daniel Belquer
Preparação vocal: Célio Rentroya e Babaya
Iluminador assistente: Danielle Regis
AsSistente de figurino: Sabrina Magalhães
Fotografia: Roberto Reitenbach
Produção executiva / São Paulo: João Victor DAlves
Administração: Larissa Crocetti
Idealização e diretora de Produção: Nena Inoue
Realização: Espaço Cênico

domingo, 4 de setembro de 2011

texto

O Ator e seu Ofício

Fernanda Montenegro

Albert Camus, falando sobre o absurdo da existência humana, observa: “O ator reina no domínio do mortal. De todas as glórias do mundo, sabemos que a sua é a mais efêmera. E é também o ator quem mais percebe, entre todos os homens, que tudo deve morrer um dia. E para ele, não representar, significa morrer cem vezes com as cem personagens que ele teria animado ou ressuscitado”.
Percorrendo assim os séculos e os espíritos, imitando o homem tal como ele pode ser e tal como é, o ator confunde-se com outra figura absurda: o viajante. E como viajante, o ator esgota uma coisa que percorre sem cessar. Ele é o viajante do tempo e, se é um grande ator, torna-se o ansioso viajante das almas.
Quanto mais estreito é o limite que lhe é dado para criar sua personagem, tanto mais necessário que ele talento. Afinal ele vai morrer dentro de duas ou três horas sob um rosto que não é o seu. É preciso que nessas duas ou três horas ele sinta e exprima todo um destino excepcional _ isto tem um nome certo: é perder-se para se encontrar. Nessas duas ou três horas ele vai até “o fim do caminho sem saída” que o homem da platéia gasta a vida toda a percorrer.
O ator e unicamente o ator é o começo e o fim da arte teatral. Somos provedores.
Na verdade, nenhuma atuação teatral viva pode ser arquivada, gravada ou exposta, como, por exemplo, um texto de Ésquilo, uma partitura de Beethoven, um quadro de Da Vinci.
Quero deixar claro que nós não praticamos um ofício do tipo prioritário: padeiro, médico, serralheiro, músico, mesmo pintor, ou mesmo escritor (artes tidas como nobres). Esses ofícios todos têm uma herança científica da sua existência e transferência. Suas conquistas são palpáveis. Deixam sempre algo de concreto. Nosso ofício _ falo do teatro _ Não deixa provas.
A posteridade não nos conhecerá. Quando um ator pára o ato teatral, nada fica. A não ser a memória de quem o viu. E mesmo essa memória tem vida curta.
É evidente que todos nós podemos representar. O disfarce faz parte da natureza humana. É fascinante a vontade de atuar de qualquer um de nós, não atores.
Acho que todo mundo pode entrar no jogo e até jogar bem certos jogos. Por essa vontade e facilidade de jogar, é muito comum confundirem o teatro com a terapia, com a necessidade puramente egoísta e vaidosa de se ter “um rosto na multidão”.
Reconheço que o ofício de representar pode também englobar um pouco de tudo isso: terapia, espaço para doutrinação política, exibicionismo, “porra-louquice”. Porém, o exercício, no tempo, definirá aquele que veio para ficar, seja ele um grande ator ou um ator sofrível. Tchekov define esse “ficar” de “perseverança”. É a perseverança da verdadeira vocação que vai definir o jogo verdadeiro do jogo mentiroso.
O oposto do jogo mentiroso é o ofício da loucura criativa, da responsabilidade, do experimento, da conseqüência, da sensualidade, do humor.
Nosso ofício é lento, muito lento, desgastante, fugidio.
A percepção do espaço teatral só se desvenda depois de um longo noviciado. apanha-se todo dia.
É uma profissão de absoluta solidão, onde “o outro” é fundamental. Buscar o outro. Confundir-se com o outro. Somar com o outro num só corpo. Formando um só organismo, uma só respiração.
O chegar ao outro é um longo caminho. Como chegar lá?
Preparando as suas ferramentas.
Não se fechando em preconceitos.
Exercitando a sua sensibilidade.
Absoluta tolerância, mas, nenhuma negligência.
As dificuldades nos acompanham sempre, na medida em que trabalhamos sobre nós mesmos. Não nos vemos. Ah! Se nós pudéssemos nos olhar, lá da platéia!
É tão comum nos ensaios ou laboratórios, sabermos tudo sobre o nosso colega e bloqueamos a nossa percepção no que diz respeito à nossa própria busca.
Penso que nosso ofício não tem a condenação bíblica do trabalho. O suor do nosso rosto não é um castigo. Nosso ofício é a nossa festa. É o nosso sentido de vida. É o nosso prêmio. Portanto ao enfrentar as propostas de trabalho, sou de opinião de que tudo soma. Tudo é exercício. Seja no teatro tradicional ou marginal, num palco italiano ou na rua. Na zona urbana ou na periferia. No jogo alienado ou no engajado. Na representação emocionada ou distanciada, o que fica, o que atravessa os anos e os modismos, é o conhecimento do ofício. É o adestramento desse instrumento que você é. Há uma famosa frase de que não há nada pior para uma revolução do que um revolucionário mal preparado. Não há nada pior para o teatro do que o homem de teatro mal preparado. Esse preparo tem que ser orgânico. Sem divisões e subdivisões.
Sinto que nossos atores procuram a sua individualidade no seu semelhante. É a conseqüência de um país que também está se abrindo. Aposto diante do momento que estamos vivendo, numa geração que busca a unidade, a conclusão. Faço votos para que vocês sejam, antes de tudo, aglutinadores.
Poucos de vocês chegarão ao fim do curso. Os que chegarem terão sido preparados por gente competente, vivida e sofrida na sua perseverança de homens de teatro. Sejam totalmente dedicados, mas, não confinados. Repito: Busquem a individualidade, não o individualismo.
Concluo, repetindo aqui as palavras de Hamlet aos atores:
“Deixa que teu bom senso seja teu guia.
Que a ação corresponda à palavra e a palavra à ação,
pondo especial atenção e cuidado em não ultrapassar os limites da simplicidade da natureza,
porque tudo o que se opõe à natureza, igualmente se afasta da própria finalidade da arte dramática, cujo objetivo,
tanto na sua origem, como nos tempos que correm, foi e é, o de apresentar um espelho da vida.
Mostrar à virtude suas próprias feições, ao vício sua verdadeira imagem e a cada idade e geração sua fisionomia e características.
“Ide preparar-vos”.
(palestra realizada no centro de artes livres em março de 1983)